sábado, 4 de julho de 2015

Carmen: A ópera mais decepcionante da minha vida

Nenhum comentário
Domingo passado (28) eu fui ao Palácio das Artes assistir à Ópera Carmen (omg, uma ópera que não é de Verdi no Palácio! Uau!). Para quem não sabe, essa é uma das minhas histórias favoritas para ópera e uma das únicas, que não é em inglês, em que sei as letras de cor.



Se você tem minha idade e acha que nunca ouviu falar antes de Carmen, sugiro que relembre esse episódio de Hey Arnold! :)


(A partir do minuto 3.24)

Bem, acontece que essa versão que saiu no Palácio das Artes era uma versão adaptada para caber em duas horas de espetáculo (sem intervalo, uma peça dessas leva uma média de 2h e 40) e remontada em comemoração aos 140 anos da peça. Eu não esperava um espetáculo com fogos, vestidos bordados, cenário rotativo e malabarismo, até por que o preço era maravilhoso demais para uma ópera na reputação de Carmen (50R$ inteira).


As surpresas (não tão boas assim) já começaram com o abrir das cortinas.
Um narrador...! Veja bem, um narrador em Carmen! Tentei entender exatamente o que se passava, mas o texto e as imagens confusas que decidiram passar ao fundo (senti que foi um misto de Inhotim com... sei lá o quê) acabaram com a voz e desenvoltura maravilhosas do narrador, que não conseguiu salvar aquele começo bagunçadíssimo de ópera.

A segunda coisa bizarra começou com a Carmen.
A primeira música estranha foi... Habanera. Mas não bastou ser Habanera-solo a introdução da personagem nessa ópera, era um palco sem cenário, sem mulheres, sem pessoas, com um coral oculto, com imagens aleatórias passando no telão e.. Carmen? Não entendi o que se passou com a mezzosoprano naquele momento. Ela estava... parada! Ela agitava as mãos como dança do ventre, balançou um pouco os quadris, mas nada de sensualidade cigana. Nada de depravação, nada de volúpia, nada de Carmen, enfim. Como se não bastasse, a voz da cantora simplesmente não saía. Eu estava na quarta fileira e tinha de fazer força para entender as sílabas. Não havia atitude em sua voz e, portanto, o espetáculo estava morto para mim. Não havia como assistir Carmen sem Carmen.

Caso queira ver uma interpretação e voz maravilhosa de Carmen, aqui vai uma de referência. (existe uma brasileira que cantou com André Rieu também, a voz dela é fabulosa!)


Ah sim, a adaptação também misturou elementos de balé (achei interessante, roubaram quase todas as cenas e comecei a desejar ter pago por um espetáculo de dança moderna do que por aquela ópera - mesmo que eu realmente não goste de dança moderna- ) e o coral infantojuvenil (que brilhou! Tive a impressão de que eram os únicos que se divertiam com a ópera lá no palco).  O Coral Lírico também foi espetacular (principalmente na música do toreador), uma pena que ficaram ocultos e marginalizados. Tivessem sido incorporados ao cenário como NPCs teriam feito muito mais sucesso ali.


A responsável pela Micaela foi muito mais encantadora que a própria protagonista.
E Escamillo foi, sem sombra de dúvida, o melhor momento da ópera.

Falando em Escamillo, ele foi interpretado por Licio Bruno, que eu já vi brilhar no palco com outros personagens como na ópera  A Viúva Alegre. Sem dúvida alguma foi ele quem me manteve desperta durante todo o espetáculo.


O figurino, de maneira geral, era triste. E só isso que tenho a dizer.
Carmen só pareceu Carmen quando trocaram sua roupa ao final do espetáculo.
Para quem havia acabado de assitir a Rigoletto no palácio, chegar e deparar com Carmen despida das cores quentes foi um choque doloroso.

(O tempo que quiseram economizar com a ópera pareceu todo ser gasto com aquela tela aleatória ao fundo.)


Resumindo, Carmen, uma composição francesa, conta a história de uma cigana super sensual que acaba criando um triângulo amoroso entre um toureador e um soldado. O que eu vi aquela noite no palácio não foi, nem de perto, um triângulo amoroso. E o momento trágico que eu esperei tanto ao final, não veio. Ao invés disso senti-me infinitamente aliviada quando as cortinas fecharam, mesmo que decepcionada por terem comido também o último ato, deixando Don José matar Carmen como se... como se só fosse isso mesmo.

Fiquei um tempo ainda no salão para ouvir os burburinhos do pós-ópera e não me surpreendi ao ouvir dezenas de frases negativas com relação ao espetáculo. Desde "não entendi" até ofensas mais calculadas.

E assim foi a primeira ópera do ano... :(
A ópera Frankenstein.

Caso queira ver a versão completa da ópera, recomendo esse link.Vá lá e seja feliz.

Nenhum comentário :

Postar um comentário