sábado, 3 de janeiro de 2015

Resenha Literária: Boa Nova

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BOA NOVA
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
DITADO POR HUMBERTO DE CAMPOS
ISBN: 8573280158
Páginas: 208
Lançamento: 1941
Preço: R$ 9,40
Editora: Federação Espírita Brasileira;
Pontuação: ( 4/5 )
Esta obra focaliza passagens evangélicas de expressiva beleza, onde Jesus, com seus discípulos e outras conhecidas personagens, trazem lições de sabedoria ao homem atual. Neste livro Humberto de Campos nos lembra que “todas as expressões evangélicas têm entre nós, a sua história viva. Nenhuma delas é símbolo superficial.” 

Comecei o Boa Nova logo após o término de "No Roteiro de Jesus" (que atualmente se encontra indisponível pela FEB, mas ainda dá para encontrar em várias bibliotecas!) e acho que foi uma das decisões mais acertadas de minha vida. Ambos os livros se complementam de maneira quase poética e, lê-los de maneira seguida, certamente abriu espaço para um melhor entendimento do que está escrito.

O Boa Nova faz uma reunião de passagens, organizadas cronologicamente, da vida de Jesus e seus companheiros. Inicia-se logo no nascimento do Cristo, situando o panorama à época de Caio Júlio César Otávio, e termina com as últimas aparições de Jesus após a sua crucificação. Cada capítulo contém um ensinamento específico, e é divido em duas ou três partes que trazem, em sequência, adições históricas à primeira.

Particularmente, minhas partes favoritas do livro são as passagens com ênfase em Pedro e Judas. São, em minha opinião, os dois personagens que fazem valer melhor os ensinamentos do Cristo e colocam em prova situações em que frequentemente também nos encontramos.

Judas, ao contrário da sabedoria popular, é aqui tratado não como um monstro traidor, mas como um homem perdido na própria vaidade e um absoluto amor por Cristo. As condições que o levam ao suicídio são exploradas em conjunto nesta obra e "No Roteiro de Jesus", e trazem uma imagem muito mais humana, muito mais plausível de suas atitudes.

"O Mestre, a seu ver, era demasiadamente humilde e generoso para vencer sozinho, por entre a maldade e a violência". (Pg. 162)

As mulheres também são retratadas sob diferentes luzes. Não são as meretrizes do pecado ou os veículos da perdição, mas parte importante do estabelecimento moral, e colocadas em pé de igualdade no relativo às faltas humanas. Maria Madalena, Joana de Cusa e Maria (mãe de Jesus) são todas peças importantes para o desenvolvimento da "Lei de Amor" e ganham, respectivamente, capítulos próprios destinados à explicação de seus papéis ao longo da história. O capítulo final destina-se à explicação do que ocorreu com Maria após sua mudança para o Éfeso juntamente de João, filho de Zebedeu.

"- Mestre (...) quereis dizer, então, que a mulher é superior ao homem, na sua missão terrestre?

-Uma e outro são iguais perante Deus. - esclareceu o Cristo, amorosamente - e as tarefas de ambos de equilibram no caminho da vida, completando-se perfeitamente para que haja, em todas as ocasições, o mais santo respeito mútuo." (Pg 148-149)

O livro é ideal para as reuniões de Culto no Lar , tanto pelo conteúdo e ensinamento contido em cada passagem quanto pelo tamanho reduzido do texto e as pausas intermitentes dos capítulos. Estou certa de tanto o Boa Nova, quanto o No Roteiro de Jesus serão ótimas adições para essa prática.

Um dos pontos negativos do livro, porém, é a linguagem dificultada e demasiadamente floreada. Por se tratar de uma obra espírita, ou de evangelização, seria razoável esperar uma linguagem mais acessível a todas as parcelas da população. Claro que, considerando a época em que foi escrito e a idade do espírito que a ditou, é normal o excesso de adjetivação e figuras de linguagem, mas talvez fosse importante um movimento de "atualização" dessas obras, não com o intuito de descaracterizá-las, mas, ao menos, de abrir espaço para uma melhor possibilidade de absorção do conteúdo. Notas de rodapé, comentários na obra, considerações para cada capítulo já resolveriam boa parte do problema. De todo modo, para um leitor médio já é possível a plena compreensão da obra, mas aqueles desacostumados com a leitura certamente encontrarão um grande obstáculo nessa leitura.

Enfim, um ótimo livro, leve de se ler, importante de se absorver. Recomendo fortemente para aqueles que, principalmente, têm interesse em trabalhar aspectos pessoais morais.


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